Tarifas dos EUA ameaçam indústria automóvel portuguesa

As recentes tarifas de 25% impostas pelos Estados Unidos sobre os automóveis importados, anunciadas pelo presidente Donald Trump, estão a gerar preocupação na indústria automóvel europeia e, em particular, na portuguesa. Estas medidas podem desencadear um “efeito dominó” ao longo da cadeia de valor, afetando negativamente as exportações e a competitividade das empresas nacionais.

José Couto, presidente da Associação de Fabricantes para a Indústria Automóvel (AFIA), analisou recentemente esta questão numa entrevista à RTP, alertando para os riscos que estas tarifas representam para Portugal. A indústria nacional, fortemente ligada ao mercado europeu e, em particular, à Alemanha, pode sofrer repercussões caso a produção automóvel europeia seja afetada.

Em 2024, a União Europeia exportou 5,4 milhões de veículos, totalizando 165,2 mil milhões de euros, e importou 4 milhões, no valor de quase 76 mil milhões de euros, resultando num excedente comercial de 89,3 mil milhões de euros. Os Estados Unidos e o Reino Unido foram os principais destinos das exportações europeias, representando 38,9 mil milhões de euros e 34,3 mil milhões de euros, respetivamente. A presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, comentou que “as tarifas são impostos – maus para as empresas, piores para os consumidores, tanto nos EUA como na União Europeia”.

A AFIA, tal como a MOBINOV e ACAP, e outras entidades da indústria automóvel continuam a acompanhar a situação e apelam a uma resposta coordenada da União Europeia para mitigar os efeitos destas políticas comerciais.

Fontes:

-Observador: Tarifas Trump. Indústria automóvel “sente efeitos negativos”, diz AFIA – Observador

-RTP Notícias: Associações do setor automóvel falam em “efeito dominó” das tarifas de Trump

-Expresso: Excedente comercial da indústria automóvel europeia sobe para €89,3 mil milhões – Expresso

-AFIA: Presidente da AFIA analisa na RTP o impacto das tarifas dos EUA (vídeo) – AFIA